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André Gide – Ele é como Rimbaud, mais do que Rimbaud, talvez, o senhor das comportas para a literatura de amanhã. Edmond Jaloux – Tomando conhecimento com Maldoror, vê-se melhor do que nunca que este personagem estranho e fabuloso existe somente para nos dizer determinadas coisas que apenas ele poderia proferir, retirando-se de seguida sem querer explicar porque as disse. O efeito do espanto que se experimenta perante os “Cantos” desaparece em parte; a surpresa dos que vierem depois será menor do que a nossa, mas jamais alguém se habituará a considerar face a face esse rosto trágico; não mais do que se habituarão ao de Pascal ou de Baudelaire. Os gênios noturnos podem atrair menos espíritos do que os outros, mas quantos forem seduzidos uma vez pelo seu poder terrível ficarão presos por uma paixão que parecerá um longo e misterioso feitiço. Giuseppe Ungaretti – O que me admira é a lógica forçada de Lautréamont. Ele discerne, com uma precisão cruel, os limites de cada forma de linguagem e demonstra que a forma lírica é a menos limitada. Os ecos das suas imagens gigantescas atravessam os seus poemas de um extremo ao outro. A ressonância, numa arte que nos sentimos tentados a comparar à atracção exercida pela Lua sobre as vagas, não ordena apenas o poema em cantos e em estrofes, mas condu-lo também a uma unidade impecável. Ramón Gomez de la Serna – Ducasse, essa maestria modesta dos que, levando ainda uma vida de estudante, escrevem no entanto uma obra madura. Apesar de o seu timbre ser poderoso, o seu comportamento simples e delicado brota do meio singelo do escritor solitário, independente, engrandecido por essa espécie de ruína latente que encontra no seu quarto de hotel… André Breton – É o conde de Lautréamont o responsável por grande parte do estado das coisas poéticas actuais: refiro-me à revolução surrealista. O sublime viajante, o grande serralheiro do mundo moderno. Paul Éluard – De que serve falar do conde de Lautréamont? Pareceis ignorar que a França tem horror à poesia, à verdadeira poesia; ela só aprecia indecentes como Béranger ou Musset. Philipe Soupault – A lucidez admirável de Isidore Ducasse levou-o a ser tratado de louco por Léon Bloy e Rémy de Gourmont. É tão simples acusar de loucura um homem do qual não se entende a angústia. Os cegos ignoram o sol. André Malraux – Imaginou um processo que conferiu originalidade á sua obra: substituiu todas as abstracções pelo nome de objectos ou, de preferência, de animais sem qualquer relação lógica com os poemas… Lautréamont riscou Diabo e alma e escreveu por cima: Deus e obstáculo. Mas, mesmo com resultados tão curiosos, qual é o valor literário de um sistema? Albert Camus – Lautréamont saudado cordialmente como o cantor da revolta pura, explica pelo contrário, e contra a sua vontade, o gosto pela sujeição intelectual que alastra pelo nosso mundo. Julien Gracq – Os “Cantos de Maldoror” não são um relâmpago caído do céu sereno. São uma torrente de confissões corrosivas alimentada por três séculos de má consciência literária. Surgem num momento dado para corrigirem na nossa literatura um dos mais graves desequilíbrios e espantamo-nos do desconhecimento em que tanto tempo se manteve o senso extraordinariamente positivo do contributo de Lautréamont, que consiste numa avalancha de materiais em bruto, ainda inundados de gemas subterrâneas – materiais para construir o homem completo. Maurice Blanchot – Lautréamont é esse ser estranho que, irreal ainda sob o nome aparente de Ducasse, resolveu trazer-se a si mesmo à luz do dia e arcar com a responsabilidade da sua própria origem. Tentativa admirável e que é a verdade do seu mito. J. Hytier – O caixeiro-viajante do fantástico. Rémy de Gourmont – Um gênio doente e mesmo francamente um gênio louco. |
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