O poeta, romancista, dramaturgo e sociólogo brasileiro Ruy Câmara nasceu em 15/04/1954 em Recife e viveu a infância em Messejana, subúrbio de Fortaleza, onde leu pela primeira vez Dante Alighieri, Edgar Poe, Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz e José de Alencar, o pai do romance brasileiro, nascido em Messejana. Formado em Tecnologia Mecânica pela ETFC, cursou Engenharia Operacional e Engenharia Mecânica na Universidade de Fortaleza, estudou Filosofia como auto-didata,  bacharelou-se em Sociologia e especializou-se em Dramaturgia Clássica para teatro, cinema e televisão no Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura. Após as diversas viagens que empreendeu por mais de 80 países e de haver assimilado diversas culturas, em 1992 Ruy Câmara abdicou da carreira empresarial para dedicar-se exclusivamente à literatura e à semiótica. Cantos de Outono, o romance da vida de Lautréamont é sua obra de estréia e teve seu lançamento nacional em julho de 2003, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.
O próximo romance, O Alfarrabista, será publicado em 2006 pela Editora Record.

Ao ler as primeiras páginas do romance de Ruy Câmara, eu confesso aos senhores que levei um susto. Levei um susto porque eu estava diante de um milagre, de um milagre apoiado não apenas no lado documental, mas também numa imaginação que trabalhava e elaborava arduamente a vida de um poeta que supúnhamos extraviada, que durou apenas 24 anos.

Mas o mérito de Ruy Câmara, autor da obra, reside quase que numa total identificação com o pensamento de Lautréamont, porque em cima dessa parca documentação, na França ou em qualquer outro país, nunca se produziu nada que sequer possa ser de longe comparado a este romance prodigioso que temos em mãos.

Muito mais do que qualquer historiador, do que qualquer autor ou crítico literário europeu, Ruy Câmara nos dá de Lautréamont essa visão de realidade, essa visão tangível, essa visão extremante palpável, e eu diria mesmo, abissal. O mérito maior é toda uma existência que é reinventada com maestria. Uma coisa que me fascinou desde o início, no que diz respeito à leitura de Cantos de Outono, é o seu tom reflexivo. O livro fascina porque Ruy Câmara não apenas resgata uma existência que se achava perdida, mas resgata também o pensamento de uma época e, sobretudo, o pensamento de um autor genial. Ele relata a dor desse autor como se a dor fosse em si próprio. Ele narra as suas perambulações por Paris, a sua visita frustrada a um Baudelaire afásico, relata a conversa imaginária com o espectro de Voltaire, no Panteão de Paris, e a tudo isso ele acrescenta a visão do seu talento inventivo. Eis o segredo do triunfo ficcional deste livro. A tudo isso Ruy Câmara confere uma veracidade romanesca espantosa. É desse modo que o romance da vida de Lautréamont, embora seja um livro longo, de quase 500 páginas, pode ser lido em apenas um hausto ou de um só fôlego, porque realmente se trata da vida de um poeta extraordinário.

Ivan Junqueira
Presidente da Academia Brasileira de Letras
Rio de Janeiro, 21/07/2003

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